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Primeiros co-réus negam que tenham sido recrutados para integrar Junta Militar

Arrancou hoje no Tribunal Judicial do distrito de Dondo, o julgamento de seis indivíduos acusados de conspiração contra a segurança do Estado, nomeadamente, apoio a auto-proclamada Junta Militar da Renamo, liderada pelo Major-General Mariano Nhongo, acusado de comandar ataques armados na região centro do país. De entre os acusados destaque vai para Sandura Ambrósio, antigo deputado e delegado da Renamo em Sofala. Este é tido como o financiador. O segundo destacado do grupo é António Bauase, apontado como recrutador de novos guerrilheiros para engrossar as fileiras da Junta Militar.

Sandura Ambrósio e os outros co-réus, estão nas celas da Cadeia Central da Beira, desde janeiro deste ano, detidos em momentos diferentes. Cinco co-réus foram detidos na primeira semana de Janeiro e Sandura em meados de Janeiro, todos por acusação de conspiração. Na manhã desta sexta-feira partiram do Chiveve numa viatura da SERNIC, escoltada por agentes especiais da policia, com destino ao município de Dondo, onde iniciou o julgamento dos mesmos acusados de financiar a junta militar da Renamo, liderada pelo Major-General Mariano Nhongo.

Antes de entrarem no tribunal todas as medidas de prevenção da COVID-19 foram observadas. A nota de acusação do Ministério Publico acusa Sandura Ambrósio, como financiador e António Bauaze, como o recrutador de novos guerrilheiros para integrarem a junta militar.

“O número de recrutados era de 12 e apontava como responsável do recrutamento o arguido António Bauase, pra integrar a junta militar da Renamo. No mesmo processo para alem do co-arguido Bauase, existem outros cidadão envolvidos, nomeadamente Chico(identificado apenas por este nome),Sandura Ambrósio e Domingos Marime, director da Escola privada American Board, que também tinha a tarefa de garantir a logística”. – Explicou Lisandra dos Santos, representante do Ministério Público.

O despacho de pronúncia, indicou que Sandura Ambrósio, enquanto detido na cadeia central, terá tentado coagir os outros co-arguidos a não pronuncia-lo durante o julgamento, com garantias que os libertaria caso ele não fosse condenado.

A defesa de Sandura, que comporta os advogados, José Capassura e Jequecene Sande contestou estas alegacões e explicou que nos dias em referência, o seu constituinte encontrava-se na segunda esquadra.

“É impossível que o senhor Sandura Ambrósio tenha entrado em contacto com os outros co-réus para lhes fazer tal proposta, tendo em conta que nas datas indicadas na pronuncia lida pelo Juiz o meu constituinte estava ainda detido nas celas da segunda esquadra e sobre sortes medidas de segurança”. – Explicaram eles ao Tribunal.

Neste primeiro dia de julgamento o tribunal ouviu Aniva Joaquim e Gabriel Domingos. Estes afirmaram que todos os contactos efectuados pelo suposto recrutador, António Bauase, em Marromeu, tinham em vista um emprego, numa empresa de segurança privada na cidade da Beira e não para integrar a junta militar. Os réus acrescentaram que quando saiam de Marromeu, não sabiam que salários haviam de auferir e que não é verdade que Bause tinha prometido que receberiam um salário de 25 mil meticais, conforme consta no despacho da pronúncia.

Anival e Gabriel disseram que foram contactados em Marromeu por António Bause, entre os dias 2 a 4 para trabalharem numa empresa de segurança privada, denominada Mambas, que pertence a Sandura Ambrósio, antigo deputado da Renamo. Segundo eles, ainda em Marromeu, Bause ligou para o suposto proprietário da empresa de segurança privada, na presença dos dois com o telefone em viva voz dizendo o seguinte: “Eu já tenho duas pessoas aqui, só que não tenho passagem”.

Em resposta, o referido patrão, disse o seguinte: “Se não tens dinheiro ai pede emprestado que eu te devolverei aqui no Dondo”. Bause disponibilizou, no dia seguinte, dia 4 de Janeiro, 600 meticais para cada um e depois seguiram os três no mesmo comboio para Dondo.

Chegado no Dondo, Bauase indicou que o destino final seria Dondo, facto que levantou uma acesa discussão entre os três. Enquanto discutiam apareceu a polícia que os deteve. Eles contaram ainda que passado algum tempo foi trazido para junto deles, um outro cidadão denominado Rogério Tomo, baleado, que os dois não conheciam e nem sabem dizer se este fazia parte do grupo que veio de Marromeu”.

O julgamento que iniciou as nove foi interrompido cerca das 16 horas e será retomado na próxima quarta-feira, onde serão ouvidas as peças chaves deste processo, nomeadamente o antigo deputado da Renamo, Sandura Ambrósio, apontado como financiador e António Bauase, o suposto recrutador.

Fonte: O pais

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